segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O que a internet está fazendo com as nossas mentes


O título desse artigo foi extraído de palestra homônima proferida no Senac e na UFS, pelo Prof. Dr. Valdemar Setzer, da Universidade de São Paulo – USP -, durante sua passagem por Aracaju nos últimos dias. O conteúdo, como há de se esperar, não traz boas notícias para os habituais frequentadores de redes sociais e sites de buscas. Inspirado em pesquisas realizadas por cientistas americanos, especialmente por Nicholas Carr, a narrativa discorre sobre a preguiça mental (ou emburrecimento, nas palavras do pesquisador), resultante da leitura de textos na internet. 
A partir da metáfora, do homem primitivo coletor de frutos e mariscos, ou seja, extrativista de subsistência e, portanto, incapaz de praticar a agricultura ou a pecuária, o palestrante expõe a situação do jovem contemporâneo, usuário contumaz da internet. Nesse sentido, como usuário, ele vive de achados fortuitos e superficiais, sem dominar o ambiente. Quem sabe, um nômade digital ou um analfabeto versão 2.0?
Tal superficialidade faz do jovem um ser limitado intelectualmente e dotado de preguiça mental. Pode parecer exagero essa afirmativa, mas os educadores percebem a incapacidade de aprofundamento na leitura e a correspondente ausência de disciplina da vontade, presentes nas salas de aulas atuais. Não por acaso, Albert Einstein afirmou: “temo o dia em que a tecnologia se sobreponha à nossa humanidade: o mundo terá apenas uma geração de idiotas”.
A volição deve ser educada com a mesma intensidade e rigor que a cognição. Uma pessoa que não desenvolve a popular “força de vontade” pode se tornar vítima de si mesmo. Um exemplo esclarecedor é comparar a volição a um movimento metabólico do corpo, como o do intestino. Em seu ritmo normal, o intestino age por sua própria vontade, geralmente em equilíbrio, ou tolerância, com nossas disponibilidades de tempo. Contudo, quando vitimado por uma diarreia, impõe sua vontade de forma unilateral, imperando sobre todas as outras vontades, compromissos ou desejos humanos, como a afirmar, indelicadamente, sobre quem manda em quem agora. Comparativamente, essa pode ser a reação de uma pessoa, volitiva e emocionalmente deseducada, que não consegue manifestar uma posição de equilíbrio, quando sob forte pressão: descontrolada e rebelde, agindo “fora de si” para se impor sobre os demais elementos, sejam internos ou externos.
Diferentemente dos livros, a internet, mesmo em trabalhos de pesquisas, limita a capacidade de entendimento da leitura. Os anúncios rotativos e a oferta de hipertextos, com seus vínculos tentadores, desviam da rota lógica da pesquisa e quebram o entendimento do texto. Dessa maneira, o pesquisador na internet tende a ser um distraído coletor de manchetes, boiando na superfície do assunto, sem conseguir se concentrar. Há autores que afirmam que o Google criou a chance de maquiarmos inteligência, quando não a possuímos.
Outro agravante prejudicial ao desenvolvimento dos jovens vem do uso exagerado de redes sociais, como o Facebook ou o Twitter, por afastar do contato “olhos nos olhos”, essencial para a construção de relações sociais e desenvolvimento do caráter. Um jovem plugado fica em média mais de oito horas por dia em frente à telinha de computadores, smartphones, tablets ou tvs. Disso decorre um estado anestésico mental com dependência psicológica, além de sobrepeso e maior insegurança existencial. Um verdadeiro caso (ou caos) de saúde pública.
Diante de notícias que anunciam a venda recorde de tablets nesse último dia das crianças, devemos refletir sobre quais qualidades estamos cultivando em nossos descendentes e quais atrofiamos? Quais acessos lhes permitimos e superexposições lhes ofertamos? Será que daríamos uma emissora de TV para uma criança publicar livremente, em outras épocas? Que saúde futura terá a criança que passa várias horas por dia, parada diante de telas e sentada numa carteira escolar sem brincar?
“Bendito, bendito é aquele que semeia livros, livros a mão cheia e manda o povo pensar; o livro caindo na alma, é germe que faz a palma, é chuva que faz o mar.” Castro Alves.



Publicado no jornal Cinform de 20/10/2014 – Caderno Emprego

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Relógio: global e pontual ao mesmo tempo

Vimos no texto anterior – publicado em 29/09/14 - que o relógio representa a caminhada humana na busca de emancipar-se dos ciclos da natureza. Para uma nação, domínio tecnológico é sinônimo de soberania. Assim, construtores de relógios foram vistos como provedores de recursos estratégicos e inovadores. Eles foram os primeiros a aplicar conscientemente as teorias da mecânica e da física no fabrico de máquinas, ao envolver cientistas, como Galileu e Hooke, com artesãos e mecânicos. Ou seja, articulações iniciais do que hoje denominamos Pesquisa e Desenvolvimento – P&D. Portanto, fabricantes de relógios foram os primeiros produtores de instrumentos científicos.
Com efeito, há o caso de um relógio do século XVI, que demorou mais de 20 anos para ser construído, composto de mais de 1800 rodas dentadas feitas à mão, com a ajuda de um pioneiro torno mecânico. Também, há um relógio construído em 1380, em Salisbury, na Inglaterra, que é considerado o mais antigo relógio mecânico em funcionamento, confeccionado manualmente sem um único parafuso, já que a tecnologia para abertura de roscas em metal ainda era desconhecida.
Conflitos religiosos e convulsões políticas decorrentes da Reforma Protestante e da Guerra dos Trinta Anos dispersaram relojoeiros de toda a Europa para duas ilhas: a Suíça, cercada de montanhas, e a Inglaterra, cercada pelo mar.
Da Inglaterra, berço da Revolução Industrial, origina a especialização e a divisão do trabalho, que a torna exportadora de relógios, tendo alcançado a marca de 80 mil unidades, já em 1786. Em paralelo, na Suíça, nasce a precisão e a qualidade dos relógios definitivos, vistos como joias e obras de arte. Tradição, cujo epicentro dá-se em Genebra, para onde milhares de refugiados relojoeiros seguiram Calvino, autor do primeiro manual do cristianismo protestante.
Esse movimento parece inspirar o êxodo dos cientistas atômicos, exilados por perseguições nazifascistas, no século XX, rumo aos Estados Unidos. Em ambas as eras, muitos imigrantes com especialidades avançadas chegaram para fazer a diferença, difundindo uma nova cultura e gerando valor ao lugar, instalando o que chamamos, hoje, de Arranjo Produtivo Local – APL.
O sucesso suíço na fabricação de relógios vem a ser seriamente abalado na década de 1970, por conta do surgimento dos relógios digitais produzidos a preços baixos pelo Japão, Coréia e China. Marcas como Seiko e Citizen, aderem agressivamente nos pulsos dos consumidores como objetos acessíveis a todos.
Essa concorrência muda definitivamente a indústria suíça, obrigando o fechamento de fábricas, demissões em massa e concordatas. Enfim, o caos se implanta com vigor. Entre 1977 e 1983, a participação suíça no mercado mundial caiu de 43% para 15%. De líder para terceiro colocado em seis anos.
Sabemos como é difícil mudar paradigmas. É quase impossível crer que um fabricante suíço de relógios aceitaria abrir mão de sua tradição secular por imposições de concorrentes de qualidade e durabilidade inferiores. Contudo, duas grandes empresas resolveram deixar o orgulho de lado e se juntar para enfrentar o inimigo com as mesmas armas: automatizar a linha de produção, simplificar os mecanismos e substituir as pulseiras de aço por plástico.
O choque e as reações foram explosivos. Inicialmente, foram acusados pelos concorrentes locais, de destruir a reputação histórica do relógio suíço. Porém, se defenderam alegando que a qualidade dos produtos seria superior e que manteriam os mecanismos analógicos dos mostradores. E mais, decidiram reinventar o negócio, ao trocar a imagem de objeto eterno para sazonal. Em resumo, um artigo de moda, que pudesse ser mudado como se troca de roupa.
Assim, nasce a Swatch, em 1983, com o lançamento da primeira coleção Primavera/Verão, composta de modelos femininos e masculinos. Sucesso imediato entre os jovens. Desde 1992, a Swatch é a marca mais vendida no mundo, recolocando a Suíça no topo da indústria relojoeira.
Se não bastasse a metáfora do funcionamento do cosmo, as implicações geopolíticas, a aplicação de teorias científicas na inovação, as reordenações sociais e a emancipação do homem em relação à natureza; o relógio ainda influi diretamente na alma humana ao fundar o valor moral da pontualidade.



          Publicado no jornal Cinform de 13/10/2014 – Caderno Emprego

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Entrevista Caderno SN - Sergipe Notícias


SN - O Senac em Sergipe é considerado uma referência nacional. Qual a razão dessa boa avaliação?

PE – A razão disso vem do comprometimento das nossas equipes com a missão do Senac. E mais, somos bastante austeros no trato das nossas contas, somos o primeiro Regional do Brasil a implantar o novo sistema de informática nacional, atuamos em todo o território de Sergipe, desenvolvemos integralmente aqui o Senac Pleno (uma plataforma de engajamento para alunos), somos comprometidos com nossos egressos na colocação no mercado de trabalho por meio do nosso Banco de Oportunidades. Trabalhamos com diálogo permanente entre a alta administração e o quadro de funcionários através dos Comitês de Gestão, Pedagógico e Socioambiental; e praticamos uma política de portas abertas a todos, com espírito inovador. Tudo isso, graças ao apoio dos nossos conselheiros e do nosso Presidente.


SN - Qual a importância da qualificação para a pessoa que deseja se inserir no mercado de trabalho?

PE – A cada dia que passa, maior se torna a importância da formação profissional para a ascensão social e a correspondente melhoria de renda. Todos os países que superaram o subdesenvolvimento, o fizeram por meio da Educação. Existe até um fenômeno econômico conhecido como “a maldição dos recursos naturais não renováveis”, que explica o porquê dos países mais bem providos de riquezas naturais serem todos subdesenvolvidos. Portanto, só acredito na melhoria da educação como saída para nosso Brasil, cujos indicadores educacionais são desastrosamente incompatíveis com os econômicos. Mas, falo em educação no sentido amplo, envolvendo a família e a comunidade, além da escola e dos poderes públicos: todos dando bons exemplos.


SN - Como o senhor avalia a receptividade dos trabalhadores formados pelo Senac pelo mercado sergipano?

PE – Muito boa. Mas, temos que melhorar sempre. As inovações tecnológicas promovem mudanças mais rápidas nos ambientes de trabalho do que nas ferramentas gerenciais e na academia, especialmente em alguns setores da economia. Isso, nos obriga a manter diálogo permanente com empresários e ofertantes de empregos para buscar feedback para nossas adequações. O nosso Banco de Oportunidades e a Sala do Empresário, são dispositivos que nos aproximam dos empregadores e nos permitem avaliar algumas oportunidades de melhorias para nossos cursos. De um modo geral, a maior dificuldade associada ao bom desempenho profissional decorre de problemas ligados a atitudes e comportamentos inadequados com a cultura empresarial e as regras de convívio social. Para minimizar essa carência criamos o Senac Pleno, um programa que oferece ricas experiências no trabalho em equipe e na disposição de fomentar uma postura mais colaborativa em nossos alunos.


SN – Na sua avaliação, quais as vantagens para os jovens que fazem cursos profissionalizantes?

PE – O curso técnico oportuniza acesso rápido a bons empregos. São muitos os jovens que saem desses cursos já disputados por empresas, até de outros Estados. No entanto, o jovem precisa se antecipar, isto é, fazer sua formação profissional para estar apto no momento que a oportunidade do emprego aparece. Isso exige espírito empreendedor porque aposta no futuro.


SN - O Senac tem planos de expansão das ações? O que o se pode esperar da instituição para os próximos anos?

PE – Hoje, além de nossa unidade mais tradicional, na av. Ivo do Prado, possuímos cinco escolas-anexas em Aracaju.  Mas, o aumento definitivo das instalações do Senac em Aracaju se dará com a construção da nova escola na avenida Maranhão, da Confeitaria-Escola Cacique Chá e do novo salão de beleza-escola. Além disso, todas nossas instalações próprias passam por reformas para garantir acessibilidade a pessoas com deficiência. O Senac possui também escolas em Itabaiana, Lagarto e Tobias Barreto. Estamos construindo novas unidades em Nossa Senhora da Glória e Estância.

Pretendemos, ainda, reforçar nossa atuação social com cursos gratuitos e mais atuação no interior sergipano, embora, em 2013, estivemos presentes em 90% dos municípios do Estado e cerca de 1% dos sergipanos foram nossos alunos em cursos gratuitos.


Publicado no jornal Correio de Sergipe - Caderno SN. Em 07/10/2014 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Entrevista: Senac de Sergipe vive os seus melhores dias


Senac de Sergipe vive os seus melhores dias                   

Há seis anos à frente do Departamento Regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), em Sergipe, o pedagogo Paulo do Eirado Dias Filho imprime ritmo acelerado na administração da entidade, que vive os melhores momentos dos seus quase 70 anos de funcionamento em nosso Estado. Com propostas inovadoras e um portfólio de cursos totalmente diferenciados, o Senac tem ampliado o seu leque de atendimento à clientela, tanto na capital como no interior sergipano.
Em Aracaju, cinco novos pontos de apoio foram locados, especialmente em prédios de estabelecimentos de ensino que deixaram de funcionar, a fim de atender a sua enorme clientela com mais conforto e dignidade. A instituição também está realizando uma série de modificações no seu Centro de Formação Profissional (CFP), na avenida Ivo do Prado, 564, para dotá-lo de melhores condições de funcionamento.
De acordo com Paulo Eirado, o interior sergipano também é beneficiado com os cursos de formação profissional do Senac, já que a entidade possui CFPs nos municípios de Lagarto, Itabaiana e Tobias Barreto, que atendem várias cidades das regiões Sul, Centro Sul e Agreste de Sergipe. Para ampliar ainda mais o seu leque de atendimento no interior, novas unidades da instituição estão sendo construídas nos municípios de Estância e Nossa Senhora da Glória.

Entrevista
RF: Quando e em que cidade o senhor nasceu e quem são os seus pais?
PEDF: Nasci na cidade de Salvador (BA), no ano de 1957. Sou filho de Paulo do Eirado Dias (já falecido) e de Zélia Tereza de Almeida Dias, ambos baianos. Meu pai foi comerciante do setor lojista de discos e ela professora da Rede Estadual de Educação, já aposentada.

RF: Qual a sua formação profissional?
PEDF: Sou técnico em Mecânica pela antiga Escola Técnica Federal da Bahia. Após concluir o curso, ingressei em Engenharia Civil, na UFBA, mas não conclui os estudos. Paralelamente, fiz formação em Programação de Computadores na Faculdade de Administração da Bahia/Odebrecht e me formei em Pedagogia na Faculdade São Luís de França, em Sergipe e pós-graduação em Pedagogia Empresarial, na mesma faculdade.

RF: Como e onde o senhor começou a trabalhar?
PEDF: Com 15 anos de idade, comecei a ajudar meu pai nas suas atividades comerciais. Quando do seu falecimento, eu estava com 16 anos e fui trabalhar como vendedor de discos, procurando dar continuidade à atividade que ele exercia. Tal experiência precoce durou pouco mais de um ano. Após, ingressei na Faculdade de Engenharia e já no primeiro ano, comecei a trabalhar como Programador de Computador no Banco Econômico. A partir daí, trabalhei 23 anos na área de informática, tendo exercido importantes cargos nessa profissão em empresas como Banco Econômico, em Salvador e São Paulo, Caraíba Metais (BA), Propeg (SP) e Assembleia Legislativa de Sergipe.

RF: O senhor já trabalhou em alguma entidade do Sistema “S”?
PEDF: Sim. Tive a honra de exercer o cargo de Diretor Administrativo/Financeiro/Educacional do Sebrae (SE) durante seis anos.

RF: Em Organizações Não Governamentais (ONGs), o senhor chegou a atuar?
PEDF: Por determinados períodos desenvolvi atividades na Via Láctea (BA), Instituto Ingá-Poca, Instituto Social Micael (SE e PI), Associação Pedagógica Micael, Junior Achievement, Comissão de Produção Orgânica do Estado de Sergipe – CPOrg/SE, Instituto de Pesquisas Tecnológicas e Inovação – IPTI e Movimento competitivo Sergipe - MCS, estes últimos em Sergipe.

RF: Como é que o senhor chegou ao Senac de Sergipe?
PEDF: Ao encerrar meu mandato na Diretoria do Sebrae, em 2009, recebi o honroso convite do então presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, Hugo Lima França, para ocupar a vaga de Diretor Regional do Senac, uma vez que esta integra o Sistema Fecomércio. Ingressei imediatamente na instituição, que tão bem me recebeu e tenho muita gratidão por poder desempenhar essa missão.

RF: Como é trabalhar no Senac?
PEDF: É uma entidade que tem uma folha de serviços prestados invejável. Nos seus quase 70 anos de existência, propiciou oportunidade de formação profissional a centenas de milhares de sergipanos, trabalhadores do comércio de bens, serviços, turismo e saúde. Gosto muito do desafio permanente das atividades do Senac e agradeço a equipe talentosa e disposta que encontrei na instituição; e que tem ampliado nesses cinco anos que compartilho da gestão.

RF: Quais são os principais cursos da grade curricular do Senac?
PEDF: Os Cursos Técnicos de carga horária acima de 800 horas/aula são os principais. Temos hoje, cerca de 70 turmas de diversas formações técnicas em andamento, com destaque para Rádio e TV, Logística, Recursos Humanos, Eventos, Enfermagem, Nutrição e muitos outros.

RF: Quais são os maiores parceiros do Senac, em termos de realização de cursos?
PEDF: Hoje, o Pronatec, do Governo Federal é o nosso principal demandante. O Governo do Estado, através de várias secretarias, a Fundat e as prefeituras do interior sergipano, são grandes e frequentes parceiros, levando cursos de formação profissional para as pessoas com pouca renda, objetivando melhorar o padrão de vida delas.

RF: Quais os cursos mais procurados pela clientela Senac?
PEDF: Os eixos de Hotelaria, Imagem Pessoal e Gestão possuem grandes demandas. Ou seja, Cursos de Cozinheiro, Salgadeiro, Cabeleireiro, Informática, dentre outros.

RF: O Curso de Informática do Senac continua sendo o carro-chefe da entidade?
PEDF: É a área mais procurada. Embora tenhamos cursos avançados, além de programação de computadores e games, os cursos básicos são os mais procurados. Entendemos que o Senac tem que ser o abrigo dos que precisam se qualificar para ter acesso ao emprego, especialmente o primeiro emprego formal, capaz de modificar para sempre o rumo do cidadão ao longo de sua vida.

RF: Os cursos de Garçom e Cozinheiro são muito procurados pela clientela Senac. O que é que motiva isso?
PEDF: O crescimento do turismo no Estado, a exigência crescente dos consumidores com relação a segurança alimentar e a qualidade dos serviços obrigam que mais trabalhadores, que lidam com alimentação, sejam profissionalizados. Daí a procura sempre ampliada pelos nossos cursos.

RF: O Salão de Beleza-escola tem atendido sua clientela a contento?
PEDF: Brevemente estaremos inaugurando o novo salão-escola nas instalações da avenida Ivo do Prado, 564. Será um espaço moderno, em conformidade com as normas mais exigentes de segurança sanitária e ambiental. A partir dessa inauguração, estaremos prontos a ofertar educação profissional de padrão mais elevado na área para nossa clientela.

RF: O principal CFP do Senac, na Ivo do Prado, parece que ficou pequeno para atender a demanda da sua clientela. É por isso que ele está sendo ampliado?
PEDF: De fato, são cinco instalações anexas que ampliam e dão mais conforto no atendimento ao público: antigo Colégio Brasília; Rua do Turista; antiga Escola Padrão, na rua Senador Rollemberg; Faculdade Atlântico, na Atalaia e antigo Colégio do Salvador, na avenida Ivo do Prado. O aumento definitivo das instalações do Senac em Aracaju se dará com a construção da nova escola na avenida Maranhão e da Confeitaria-Escola Cacique Chá. Além disso, todas nossas instalações próprias passam por reformas para garantir total acessibilidade a pessoas com deficiência. O Senac possui também CFPs em Itabaiana, Lagarto e Tobias Barreto. Estamos construindo novas unidades em Nossa Senhora da Glória e Estância.

RF: Quantos alunos são preparados para o setor terciário anualmente?
PEDF: No ano de 2013, 27 mil alunos concluíram seus cursos no Senac. Mas, nos orgulha informar, que mais de 20 mil alunos tiveram acesso aos nossos cursos gratuitamente. Isto é, mais de 1% da população de Sergipe pode estudar no Senac, no mesmo ano, sem precisar pagar por isso.

RF: Financeiramente como é que a entidade se encontra?
PEDF: A entidade tem uma política austera de controle do orçamento. Como resultado disso, temos saúde financeira que nos garante honrar todos os compromissos assumidos e permitir investimentos constantes em nossas instalações e equipamentos necessários para modernização tecnológica, acompanhando as mais exigentes tendências do mercado e da legislação.


Entrevista publicada na Revista Fecomércio SE, ago/2014 – nº 15