segunda-feira, 20 de julho de 2009

Novos hieróglifos


Mudanças tecnológicas são muito velozes. Esteja certo que quando lhe chegar a sensação de conforto e segurança no uso de um programa de computador ou de um aparelho celular é porque estes já estarão superados ou obsoletos. O normal, hoje, é improvisar no uso destes instrumentos, é ser criativo para descobrir utilidades impensadas até pelo desenvolvedor ou inventor do produto, visto que com certeza este também não teve tempo suficiente para conhecer a fundo sua criação e as possibilidades de suas aplicações.

        Dizem que o ótimo é inimigo do bom. Na indústria do software isso é uma verdade. Se desejarmos lançar um programa de computador livre de erros, os chamados bugs, não o lançaremos nunca. Existe uma curva em um gráfico cartesiano que aponta o índice tolerável de falhas para o lançamento comercial do produto. O software é lançado com versões futuras já em construção onde se elimina algumas falhas mais comprometedoras, além de pacotes com correções que são baixadas pela internet, às vezes automaticamente. Só em 2006, foram 7.427 bugs catalogados entre os dez maiores desenvolvedores de softwares do mundo.

        Dentro deste atropelo calculado, impositivas são as regras do mercado que orientam o lançamento e o descarte de produtos e serviços num giro de máxima rentabilidade, sem levar em conta questões ambientais e sociais. O lixo tecnológico é altamente tóxico e resistente à decomposição na natureza. E o pior, estamos assimilando a cultura do descartável, da superficialidade e da efemeridade em nossas relações afetivas, sociais e econômicas. Em alguns casos, há uma verdadeira inversão de valores que passa aparentemente despercebida: os programas  aplicativos, como o Word ou Excell, estão indevidamente em posição superior aos conteúdos criados a partir deles. Para ser mais claro: imagine que um notável romancista escreveu seu livro mais promissor, uma obra-prima, usando o extinto WordStar ou o desaparecido Carta Certa e guardou muito bem uma cópia eletrônica para futura edição. Certamente  hoje o desavisado escritor já está em apuros. E muito mais ficará à medida que o tempo avançar. Onde abrir seu arquivo? Como recuperar seu livro? 

A situação acima decorre da falta de padronização para editores de textos, de planilhas, de apresentações, etc. Ficamos escravos de determinados fornecedores, proprietários de “padrões” que muitas vezes são voláteis e descontinuados em pleno desrespeito aos seus usuários. Na pueril indústria da informática essas coisas acontecem sem reação dos consumidores. Em outros casos, essas ações desrespeitosas seriam repelidas veementemente por todos os consumidores. Ninguém aceitaria que a companhia de distribuição de energia elétrica, combinada com a indústria de eletrodomésticos, resolvesse alterar a voltagem da rede de 110 para 325 volts a fim de nos obrigar a rever nossos contratos e vender novos eletrodomésticos adaptados a esta inesperada realidade. Também seria inimaginável que seus DVDs só pudessem ser assistidos nos equipamentos da marca tal.

Lembro que no final da década de 70, a Sony lançou um padrão de videocassete exclusivo, chamado Betamax, e disputava a preferência com o padrão VHS, de qualidade inferior. A Sony saiu perdendo, apesar da superioridade tecnológica de seu produto, porque a indústria do entretenimento ofertou mais títulos em VHS. Moral da história: o principal valor está no conteúdo e não na mídia ou no veículo. Assim, será com a informática também.

A tendência a padrões está sendo consolidada e defendida pelo modelo adotado pela internet. Nesta, a partir de computadores de diversos fabricantes, de diversos sistemas operacionais, de vários navegadores, de diversas conexões, é possível navegar pelos mesmos sites numa demonstração exemplar de compatibilidade e interoperabilidade.

          Em janeiro deste ano, participando do Campus-party Brasil em São Paulo, assisti uma palestra interessante sobre a adoção pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, do padrão ODF, abreviação de “OASIS Open Document Format for Office Applications”, que trata de um formato aberto para armazenar e trocar documentos de escritório como memorandos, relatórios, livros, planilhas, bases de dados, gráficos e apresentações. Esta norma é referenciada como NBR ISO/IEC 26300, publicada em 12 de maio de 2008, que normatiza o padrão universal para portabilidade de documentos entre aplicativos de diversos fabricantes, sejam Linux, Windows, Google, etc.

            Tal palestra fazia um paralelo entre o desvendar dos hieróglifos da Pedra de Roseta, descoberta em 1799 e que permitiu em 1822 a compreensão da escrita egípcia, com os “novos hieróglifos” produzidos atualmente pela indústria da informática através dos programas aplicativos descontinuados. Comparou também nossa realidade atual com a perda da Biblioteca de Alexandria em 646 dC, totalmente destruída pelo fogo com seus mais de 1000 anos de história humana arquivada. Quantas pesquisas acadêmicas, obras artísticas, projetos, documentos empresariais e anais, dentre outros, estão armazenados em arquivos eletrônicos, porém, inacessíveis aos computadores atuais.

            Penso que o mais importante da informática é o que fazemos através dela. É o nosso trabalho. Não é a máquina, é o humano. Só quando respeitarem nosso trabalho e toda a informática for um meio de interesse público e social, é que deixaremos de ser reféns de tiranias tecnológicas e oportunismos mercadológicos. Quem sabe se com o padrão ODF funcionando para valer possamos dizer: Seja livre, use o que quiser!



 Publicado no jornal Cinform 20/07/2009 – Caderno Emprego
 Publicado na revista TI&N, nº 10, nov/2012





terça-feira, 7 de julho de 2009

Informalidade e improdutividade


       A informalidade é a principal barreira ao desenvolvimento econômico brasileiro, segundo pesquisa realizada pela consultoria McKinsey em 2005. Nesse estudo, atribui-se à informalidade a grandeza de 39% da perda de produtividade no Brasil, além de outros fatores que apresentamos a seguir: a instabilidade macroeconômica com 13%; ineficiência e precariedade dos serviços públicos com 8%, e falta de infra-estrutura com 5% da mencionada  perda. Todos estes fatores, aponta o estudo, podem ser resolvidos de curto a médio prazo através de políticas de Estado estáveis e bem sucedidas, aplicadas ao longo de 12 anos, que consistem na redução da informalidade de 40% para 20% do PIB; na diminuição da instabilidade macroeconômica, cortando gastos correntes do governo de 30% para 25% do PIB; no corte pela metade do tempo de solução e do número de novos processos judiciais e na melhoria da infra-estrutura, aumentando o percentual de investimentos de 2,4% para 6% do PIB. Tais medidas elevariam a renda per capita brasileira para 16.400 dólares, dobrando seu valor em termos reais, em 10 anos.

Esta pesquisa revela ainda que a produtividade do brasileiro é de apenas 18% face à produtividade do trabalhador norte-americano. Desta forma, temos de trabalhar em média 5 vezes mais que eles para gerar o mesmo produto. Digo em média, porque a perda de produtividade varia conforme o setor econômico. O setor de menor perda comparativa entre Brasil e EUA é o bancário, no qual atingimos a marca de 67% da produtividade dos “senhores de olhos azuis”. Sequencialmente temos o setor automotivo com 29%, a construção com 28%, o varejo com 25%, e, pasmem, a agricultura com ínfimos 5%.

É de se estranhar que justamente o setor agrícola, abrigo do nosso pujante agro-negócio, que participa decisivamente da nossa carteira de exportações, apresente índice tão acanhado de produtividade. O esclarecimento provém da agricultura de subsistência, carente de recursos tecnológicos mínimos. Ela se mostra desigual entre a agricultura mecanizada, dita de precisão, e a rudimentar agricultura familiar de subsistência.

A análise dos números acima nos faz ler que quanto menor a informalidade (setor bancário), maior a produtividade, e vice-versa (setor agrícola).

Esta consultoria McKinsey já afirmou em outra pesquisa que uma redução de 20% da informalidade dará ao Brasil ganho de 1,5% no PIB, além de revelar que o Brasil é responsável por 10% da pirataria musical do mundo e que 55% dos nossos trabalhadores estão desprotegidos.

 São números expressivos que, por si só, justificam a implantação de políticas econômicas planejadas e elaboradas com a visão de longo prazo, típica de programas nacionais de desenvolvimento com visão sistêmica, que independam de governos e orientações ideológicas.

Análises comparativas entre países nos mostram que a renda per capita está diretamente relacionada à produtividade. Se, como vimos, a produtividade norte-americana é 5 vezes superior à nossa, também vemos a renda per capita do Tio Sam ser 4 vezes superior à Tupininquim. Esta proximidade de números relativos entre a renda e a produtividade per capita se repete em vários outros países quando dispostos em um gráfico cartesiano, formando uma nuvem quase reta de pontos.

Como este estudo aponta que a produtividade das iniciativas informais é de apenas 45% da produtividade das formais, sugiro que os programas governamentais de combate à informalidade sigam na direção do ganho de produtividade. Assim, a passagem da informalidade para a formalidade será vantajosa para todos. Ganha o empreendedor, ganha o Estado e, principalmente, ganha a sociedade brasileira. Não basta a vantagem relativa, ofertada pelo tratamento tributário diferenciado, a exemplo do (Micro) Empreendedor Individual – MEI - Lei Complementar 128/08. É preciso sensibilizar o público para quebrar a cultura da informalidade que, lamentavelmente, está tão presente na cabeça do brasileiro, e capacitar o pequeno empreendedor para que se instrumentalize e cresça produtivamente no combate ao desperdício, na visibilidade do seu negócio (publicidade), no giro otimizado do estoque e do capital, nas melhores práticas do seu ramo de atividade, na formação correta de preços, na visão de mercado e seu posicionamento (marketing), no acesso ao crédito, na cultura do associativismo, dentre outras inúmeras noções de técnica de gestão e profissionalização. Nesse espaço o Sistema “S” passa a ser decisivo: tem competência comprovada, tradição e credibilidade, recursos humanos, pedagógicos, materiais e capilaridade para enfrentar a desafiadora missão como nenhum outro organismo no país.  

Outro fator que responde por 35% da perda de produtividade é a excessiva pobreza presente na Terra Brasilis. Neste nível, a pobreza produz continuamente um círculo vicioso de ampliação da própria pobreza. A escola pública é ruim, mas “é grátis”, então não se deve reclamar. Ou ainda, “ruim com ela, pior sem ela”.

A nossa elite é muito reduzida para dar conta rapidamente do passivo social brasileiro. A saída só é possível a longo prazo, porém, é consensual e  se chama educação. Entenda-se educação no sentido amplo da palavra: educar o pensar (cognição), o fazer (volição) e o sentir (emoção), tarefa de pais e educadores.

Por fim, espero ver o dia em que informalidade seja sinônimo de confiança nas relações pessoais e empresariais e ainda de desburocratização, e não sinônimo de clandestinidade, como hoje se aplica no nosso querido Brasil.



Publicado no jornal Cinform 06/07/2009 – Caderno Emprego

terça-feira, 23 de junho de 2009

A vez dos (Micro) Empreendedores Individuais - MEI


O Brasil é um país formado por muitos “países”. Tanto já se disse sobre isso quanto o contrário também. Afinal, se de um lado temos diferenças culturais enormes entre regiões, por outro lado, temos uma unidade nacional invejável considerando as nossas dimensões continentais. Tem muito país que cabe num quarteirão e que deseja se dividir devido às diferenças étnicas, religiosas ou econômicas; enquanto nosso Brasil, gigante pela própria natureza, continua firmemente unido nas diferenças. Quero, porém, mostrar um Brasil que existe em paralelo ao próprio Brasil, feito uma sombra maior, cujo corpo incomoda sua existência, mas que muitas vezes não a vemos porque a mesma luz que produz esta sombra também ofusca o olho do iluminado. É o Brasil da informalidade.

A informalidade é mais danosa ao tecido social que à economia propriamente dita. Isto porque, desconsiderando o crime e o tráfico de drogas, toda atividade informal atinge apenas uma etapa de uma cadeia produtiva sem afetá-la como um todo. Exemplo: o camelô que vende bugigangas sem nota fiscal, provavelmente transportou os produtos com frete oficial, portanto, foi tributado, ou ainda, os produtos foram tributados na matéria-prima, manufatura ou qualquer outro ponto do seu ciclo de produção. Assim, não há plena sonegação nesta atividade comercial. Além disso, está provado que a informalidade tira mais gente da pobreza no Brasil que a formalidade. Já no aspecto social, entendo que o assunto se agrava.  Primeiro, porque o informal, na sua grande maioria, não deseja permanecer na clandestinidade, mas se vê sem alternativa. Segundo, porque o seu trabalho é honesto, mas lhe é negado o direito a cidadania plena.

O cenário empresarial brasileiro é muito hostil: o juro é estratosférico, o crédito existe só para quem prova que não necessita dele, o acesso ao mercado é recheado de atravessadores, a concorrência é frequentemente espúria, a burocracia é uma barreira por vezes intransponível e a elevada carga tributária, dentre outras coisas como o baixo estímulo ao empreendedorismo e à cultura empresarial, inviabilizam o empreendedor que deseja constituir firma para pequenas atividades econômicas. Neste ambiente, o empreendedor é levado direta e automaticamente para a informalidade sem outra chance. É como se o Estado brasileiro o expulsasse de suas fileiras.

O Brasil formal ou “Brasil da luz” possui centros de excelência equivalentes aos melhores do mundo, arranjos produtivos de alta densidade econômica e alta especialização e ilhas de prosperidade unindo grandes, médias, pequenas e micro empresas. Estas duas últimas totalizam aproximadamente 99% do total. São mais de cinco milhões de micro e pequenas empresas formais e trinta e dois milhões de carteiras de trabalho assinadas.  Por outro lado, o Brasil informal ou “Brasil da sombra” possui baixa produtividade e bolsões de pobreza. Suas empresas são micro e pequenas que totalizam mais de dez milhões e mais de quarenta milhões de trabalhadores informais.

Vemos que a maioria dos trabalhadores brasileiros não está protegida pela previdência social e que o número das empresas informais representa o dobro das formais. Aqui não foram considerados os empreendimentos rurais e nem os trabalhadores domésticos. Em Sergipe, existem seiscentos mil trabalhadores informais frente a trezentos mil formais. Melhor se fosse o inverso!

Vejamos a situação: Silva, um vendedor de caldo de cana que trabalha honestamente, tem uma renda mensal liquida de R$ 600,00 e com essa atividade sustenta sua família. Imaginemos que você vai aconselhá-lo a sair da informalidade para dar segurança a três certezas da vida: envelhecer, adoecer e morrer, além de cuidar da saúde dos seus dependentes, ter acesso a crédito e vender com nota fiscal. Pergunto: que alternativa legal e economicamente viável há para esse trabalhador? Até hoje nenhuma. É o buraco negro legal, um vácuo institucional no emaranhado de leis do Estado brasileiro em suas esferas federal, estadual e municipal.

Reconheço significativas melhorias no ambiente legal em favor das micro e pequenas empresas nos últimos anos. A implantação da Lei Geral das Microempresas (Supersimples) trouxe alívio burocrático e tributário à maioria das micro e pequenas empresas. Agora, chegou a vez de possibilitar a inserção de dez milhões de empreendedores que, como Silva do caldo de cana, trabalham a sós ou com até um único empregado. São os vendedores ambulantes, prestadores de pequenos serviços e artesãos. Chegou a oportunidade de pipoqueiros, costureiras, manicures, vendedores de hot dog e outros trabalhadores autônomos de profissões não regulamentadas se tornarem empresários formais, através da Lei Complementar 128/08 que vigora a partir de 1° de julho próximo, regulamentando o (Micro) Empreendedor Individual - MEI. Se a elaboração, articulação política e acompanhamento da tramitação nas casas legislativas destas leis já foram assistidas de perto pelo Sistema S, especialmente pelo Sebrae, agora compete a todos os demais integrantes deste Sistema dar condições para que os potenciais beneficiários façam a passagem da informalidade para a formalidade com segurança, como fará o Senac através da capacitação básica inicial e continuada, acessível a realidade de cada um.

De acordo com a nova lei, poderão se registrar como MEI os trabalhadores informais cujo faturamento bruto anual não ultrapasse R$ 36.000,00, que se enquadrem nas situações já descritas acima e se disponham a pagar até o máximo de R$ 57,15/mês de impostos, que abrangem a Previdência Social (R$51,15), o ISS (R$ 5,00) e/ou ICMS (R$ 1,00). A lei ainda prevê acesso gratuito a escritório de contabilidade para a abertura da empresa e o encerramento do primeiro exercício contábil.

Se da parte do governo esta lei demonstra sensibilidade e responsabilidade para com milhões de brasileiros que estão marginalizados por força das circunstancias, de outro lado, espero que estes brasileiros se adaptem bem a esse novo cenário, estejam seguros e possam pagar seus tributos facilmente a partir dos ganhos de produtividade que só a luz pode dar.    

 

 
Publicado no jornal Cinform 22/06/2009 – Caderno Emprego
Publicado no Jornal do Comércio / SE – Editorial jun/2009

terça-feira, 9 de junho de 2009

Século XX: a última expulsão do paraíso


As notícias da Coréia do Norte são preocupantes. Testes nucleares realizados nesse país isolado demonstram uma grande necessidade de afirmação através do poderio militar para superação de seus recalques. É mesmo muito preocupante! Parece com a história da Guerra das Malvinas, protagonizada e agonizada pela Argentina na década de 1980, que criou um fato histórico internacional para desviar a atenção do seu povo e provocar espasmos nacionalistas durante o desfecho do decadente regime autoritário que à época governava o país. Mas o caso Coréia do Norte é bem pior: a insanidade é maior e a história tem outra força.

O século XX marcou decisivamente a trajetória da humanidade: duas grandes guerras mundiais, apartheid, acirramento de conflitos entre Árabes e Judeus, genocídios e guerras civis que produziram dezenas de vezes mais mortes que aquelas entre países. É também um século de grandes avanços em todos os campos. A Europa, palco de duas guerras mundiais no século passado, saiu de poderosos estados governados por imperadores na Áustria, Alemanha e Reino Unido para modernas e estáveis sociais democracias. A descoberta da penicilina e das vacinas, a emancipação política e cidadã da mulher, a conquista do espaço, a invenção do computador, a construção e desconstrução do fordismo, a criação da pílula anticoncepcional, símbolo da tecnologia que revolucionou costumes ancestrais, a comunicação de massa do rádio e da televisão, a biotecnologia geradora da revolução verde, o automóvel imbricado ao modo de vida dos cidadãos dos países ricos, dentre outros fatos relevantes, marcaram o século XX como a época do avanço tecnológico. Pena que tal avanço não tenha correspondido nas áreas sociais e ambientais.

Se conseguimos avanços tão extraordinários no campo da ciência e da tecnologia, também nos utilizamos deles para desviar o olhar das mazelas que nos revelam incompetentes e incapazes. “Vejam como somos capazes de realizar viagens espaciais perfeitas”, dizem os países centrais. Mas, se para a tecnologia a palavra de ordem é perfeição, analogamente para o meio-ambiente parece que a palavra de ordem é erosão, da mesma forma, quando olhamos para o social vemos que a palavra de ordem agora é exclusão. Lamentavelmente!

            A humanidade emergiu do século XIX com um otimismo inabalável. A descoberta da eletricidade, o domínio pleno da siderurgia, a descoberta da mecânica com suas soluções mirabolantes e a possibilidade de viver confortavelmente no planeta potencializaram o positivismo e a crença na ciência como redentora do destino humano. Não faltaram motivos à época para o homem crer e ter fé no materialismo, e assim caminhar nos primeiros anos do século XX até os primeiros tiros disparados na guerra de 1914.

A primeira metade do século passado registra conflitos generalizados no planeta, culminando com o ataque atômico a Hiroxima e Nagasaki, findando a segunda guerra mundial e provocando a corrida atômica que levou países a estocarem armamentos em quantidade capaz de destruir a Terra várias vezes, como se fosse possível. Uma insanidade!

Já a segunda metade do século XX se caracteriza por uma superpopulação, pelo consumismo desenfreado, quebra de tabus e paradigmas e o esgotamento das reservas naturais do planeta. Descobrimos que a Terra é pequena e que o modelo de desenvolvimento adotado é irreal e incompatível com a capacidade regenerativa do planeta. Alguns autores caracterizam o momento atual como turbocapitalista. Isto é, uma era de capitalismo desenfreado, na qual só há inteligência e controle por setores da economia e ninguém a controla globalmente. Outra insanidade!

Historicamente, o homem sempre acreditou que o futuro seria melhor que o presente. Em todas as épocas, o porvir se anunciava recheado de esperanças de melhores dias. Nossos antepassados sofreram demais com as adversidades naturais, políticas, sociais e econômicas. Não havia direito, nem saúde e nem remédio. Restava-lhes homenagear os mortos e os deuses nos primeiros anos da história (o antigo Egito é um exemplo disso), até mais tarde os homens se apaixonarem pela matéria, pela vida na Terra e renegarem os deuses no início do século XX. Era a bela aventura humana movida pela crença no amanhã que prometia sempre um mundo melhor para seus descendentes.

Encerramos o século XX com duas heranças malditas: a primeira decorre da corrida armamentista atômica e a segunda é conseqüência do esgotamento (literalmente falando) planetário. Vivemos um ponto de inflexão na trajetória humana: ou mudamos ou mudamos. Não há outra alternativa para permitir a vida de nossos filhos e netos. A ética do século XX não serve para o século XXI. Não temos mais o direito de crer que deuses nos salvarão impunes. Temos a vida das plantas, dos animais e as nossas sob total responsabilidade própria. Não podemos mais acreditar em terceirizações na gestão do planeta.

A história nos deu, hoje, a oportunidade de vivermos a primeira experiência humana de crer que o futuro será pior que o presente, mas nos deu também a tecnologia, a consciência e o livre-arbítrio para agirmos corretivamente. O momento é tão desafiador que me leva a associá-lo com a imagem bíblica da expulsão do paraíso. Como não perco a fé na humanidade e sou brasileiro, otimistamente acho que de expulsão do paraíso a gente entende e vai sair desta por cima.  


Publicado no jornal Cinform 08/06/2009 – Caderno Emprego

terça-feira, 26 de maio de 2009

Atitude é competência e educação


     Desde a década de 1970, firmou-se o conceito de competência na gestão de negócios como um conjunto de três fatores principais: conhecimento, habilidades e atitudes, também conhecido como CHA por causa das iniciais de cada palavra. Tal conceito deriva do trabalho do psicólogo e pesquisador da Universidade de Harvard (EUA), David C. McClelland, que muito contribuiu para a construção da teoria da gestão por competência. Seu trabalho  foi aprimorado pelo aluno Daniel Goleman em seu livro Inteligência Emocional (1997). Daí para frente muita tecnologia se desenvolveu nas escolas de administração, com o reconhecimento de valores interiores e aptidões das pessoas e seus reflexos na atividade econômica.

     A nova ordem econômica mundial descobriu que pessoas são fatores indispensáveis de produção. Indispensáveis, mas não do ponto de vista adotado quando falamos da produção de bens tangíveis que podem ser manufaturados com perfeição superior por robôs. Mas sim, indispensáveis na produção de bens intangíveis, frutos de aplicações intensas de conhecimento como são os softwares, os filmes, o entretenimento, as patentes, a nanotecnologia e as marcas. Nesta nova ordem econômica, apenas pessoas com seus talentos podem prover o mundo, ou o mercado como preferem alguns, com tais produtos em larga escala de consumo.

     À primeira vista, vemos uma supremacia do conhecimento sobre os demais fatores que formam as competências, isto é, habilidades e atitudes. É aqui que nos enganamos profundamente. Recentemente li um artigo científico intitulado “Por que as empresas demitem?”, escrito por pesquisadores do CEFET do Estado do Paraná, que me confirmou algo que já ouvira falar: 80% das demissões são motivadas por razões atitudinais ou comportamentais, as demais 20% são resultantes de incapacidade técnica ou insuficiência de conhecimentos. Aqui levamos em conta apenas as demissões com reposição de ocupante à vaga, ou seja, sem extinção do posto de trabalho.

     São problemas típicos de atitude comuns nas organizações: a indisciplina, o desrespeito a hierarquia, as ofensas, o descumprimento de horários, os desvios de caráter, não saber trabalhar em equipe, assédio moral, danos ao patrimônio, dentre vários outros problemas que acontecem com freqüência no cotidiano. Por que nossas atitudes não foram educadas como nosso conhecimento?  Pode a escola contribuir para uma atitude saudável?  
   
     Creio que todos educadores desejam formar pessoas literalmente competentes para gerir a própria vida. Pessoas capazes de escolher, produzir, opinar, influenciar positivamente os outros, trabalhar, educar os filhos; enfim, ser livre e com o próprio arbítrio construir um mundo melhor para todos. Porém, como vimos, vivemos numa sociedade que supervaloriza a cognição, o saber e a intelectualidade, em detrimento das outras faculdades humanas. Nossa sociedade quer puxar tudo para a cabeça misturando esferas originalmente distintas como o pensar e o sentir ao conceituar “inteligência emocional”, por exemplo. Desta distorção resulta o desastre ambiental de nosso tempo e a degradação social produtora de excluídos. Não sabemos colaborar, nem cuidar do próximo. Vivemos numa sociedade onde não existe um bezerro sequer sem dono, mas existem milhões de crianças “sem dono”. Onde não nos entendemos em uma simples reunião de condomínio pela escolha do horário de trabalho do porteiro, mas enviamos o homem à lua e coletamos rochas marcianas com indiscutível perfeição. Parece que conferimos respostas do século XIX para perguntas do século XXI.

     Quero ousar uma formulação a partir dos quatro pilares da educação propostos pela UNESCO que nos ajudará a diagnosticar falhas da educação frente à realidade do trabalho atual: Competência = conhecimento + habilidades + atitudes.

     Respectivamente: Aprender a ser [competente] = aprender a aprender + aprender a fazer + aprender a conviver.  

     Em ambos os casos a solução da equação passa pelo pensar, pelo agir e pelo sentir, fundamentos educacionais insubstituíveis no desenvolvimento integral do ser humano (1). Assim, se quisermos elevar nossas atitudes devemos educar o sentir através de atividades artísticas, esportes coletivos, trabalhos sociais voluntários e uma veneração religiosa à natureza. Além disso, os bons exemplos de pais e professores influenciam definitivamente novas gerações.

    Todos os grandes teóricos da educação vinculam a escola ao trabalho, independentemente da orientação política dos seus discursos. Faço aqui um alerta:  se não fazemos isso bem é porque falhamos pedagógica, econômica e socialmente. Talvez daí resultem nossos miúdos índices de desempenho escolar e o graúdo número de dois milhões de reclamações trabalhistas anuais do Brasil, numero 27 vezes maior que o norte-americano e 250 vezes maior que o japonês.   Realmente “só o Brasil é penta”, mas devemos escutar o grande pensador contemporâneo Edgar Morin, autor da proposta dos 4 pilares da educação para o século XXI, que também relacionou escola com trabalho e pode nos ajudar a  depender menos do futebol.

     Vide “A pedagogia Waldorf”, jornal Cinform de 27/04/2009.


Publicado no jornal Cinform 25/05/2009 – Caderno Emprego
Publicado no Jornal do Comércio / SE– Editorial mai/2009

terça-feira, 12 de maio de 2009

Maioridade com que idade?


Estava ouvindo distraidamente um noticiário da TV, quando um assunto recorrente me chamou a atenção. Discutia-se a alteração da legislação para que a maioridade passasse a ocorrer aos dezesseis anos.

Como tal assunto me incomoda! Entendo os motivos que levam muitos brasileiros à defesa dessa mudança: crimes praticados por jovens, quadrilhas que usam jovens para autoria de delitos a fim de se beneficiarem com a proteção legal que consiste nas medidas sócio-educativas, que tem o limite temporal de 21 anos para sua aplicação, etc. Neste assunto, porém, o que mais me incomoda é a sensação de que queremos negar o direito à juventude a alguns apenas: os jovens pobres em situação de risco.

Vejo jovens de classe média terem sua juventude e dependência cada vez mais prolongadas, seja por meio da convivência na casa paterna até aproximadamente os trinta anos, seja no ingresso ao mercado de trabalho depois de formados e pós-graduados. Nada contra, são livres decisões que cabem exclusivamente ao próprio contexto familiar. Vejo ainda, algo emblemático que comprova a incoerência e a degradação de nossa civilidade. São os transportes escolares: aquelas Topics que anunciam em seus parabrisas “UNIT à noite” ou “UFS”. Nossos universitários, maiores de idade, portanto, necessitam de transporte escolar, geralmente custeado pelos pais, tal qual crianças do ensino fundamental para irem a suas aulas. Por quê? 

Na década de 50, o brasileiro vivia em média 46 anos e a maioridade acontecia aos 21, ou seja, quase metade da vida era juventude. Atualmente no Brasil, vivemos em média 72 anos, a maioridade se dá aos 18 anos e alguns querem reduzi-la para os 16; repetindo a conta, a juventude passa a representar apenas 20% do tempo médio de vida de um brasileiro.

Nem Darwin explica tal mutação em tão pouco tempo. A maioridade aos 21 anos tem referências biológicas que ultrapassam nossos códigos legais. Existem leis biográficas às quais todos nós humanos seguimos. A maturidade se dá no corpo físico, inclusive, neurologicamente falando. Também no aspecto anímico ocorre amadurecimento à medida que conseguimos mais e mais controlar nossas emoções e nossa vontade. Este amadurecimento saudável pode e deve ser proporcionado pela educação, embora, as escolas como conseqüência de nossa sociedade, valorizem e avaliem quase exclusivamente o desenvolvimento cognitivo – o saber intelectual. Pedagogicamente, penso que as atividades escolares devem equilibrar ações que estimulem o pensar com atividades artísticas, dinâmicas de grupos e esportes coletivos, promotores do amadurecimento emocional (sentir), além de praticas de trabalhos manuais com madeira, argila, jardinagem, mecânica, dentre outras que nos desenvolvem e educam a vontade e o agir no mundo.

Será que não estamos agindo por impulso quando defendemos ainda mais a redução da maioridade para os 16? Sem olvidarmos que há em nosso país  quem defenda sua redução para os 14 anos. É possível reduzir verdadeiramente a adolescência a dois ou três anos apenas? Queremos extirpar a difícil fase da adolescência por decreto? Seria a juventude um objeto platônico, apenas idealizada e nunca realizada, já que nós sempre queremos parecer jovens enquanto o tempo insiste em nos mostrar o contrario com seu argumento incontornável? Por ser a adolescência  uma fase passageira, será que vale à pena darmos tanta importância a ela?

São perguntas difíceis às quais não tenho respostas confortáveis. Sabemos que as políticas públicas para juventude são precárias demais no Brasil e em muitos outros países. Os jovens formam o grupo social mais vulnerável e mais exposto a desafios. Para eles o desemprego é maior, a inserção no mundo do trabalho é mais difícil, é natural sua dificuldade de relacionamento com os adultos, não são preparados para a cultura empresarial e suas atitudes e valores facilmente colidem com as exigências do trabalho.

Políticas públicas estarão condenadas ao fracasso sempre que tratarem os jovens como atores sem identidade própria e sem independência e não levarem em conta a diversidade cultural e material presente entre eles e o seu desenvolvimento biopsicossocial. De universal mesmo, em nossa sociedade brasileira, vejo um processo de “juvenilização” dos adultos que os incentiva a omitir-se das suas responsabilidades, e outro processo de “adultilização” das crianças e jovens que atropela o ritmo natural e harmonioso de seu desenvolvimento, a exemplo da maioridade precoce, da erotização e consumismo das crianças, e da antecipação recente do ensino fundamental e da alfabetização em um ano.

Ao creditarmos à redução da maioridade penal uma mudança real da segurança pública, estamos tão somente nos desviando do real problema. Ou será que menores bebem mais que maiores? Menores se drogam mais que maiores? Menores roubam mais que maiores? Menores são mais corruptos que maiores? ...? ...?   
 
Quero um amplo debate da sociedade brasileira sobre o tema. Acredito que a saída está na educação. Mas não uma educação redentora ou salvadora que nos chegue como mágica. E sim, numa educação construída num cotidiano honesto nas salas de aulas, nos lares, nas empresas e nos governos por adultos que colaborem (ao invés de concorrerem) com os jovens e sejam conscientes de suas responsabilidades na construção de um país.

Se reduzirmos a maioridade para os 16 anos, teremos criminosos cada vez mais jovens e indefesos frente a seus algozes, que, lamento, continuarão aprendendo pelo mau exemplo dado por maiores, exatamente como já ocorre hoje.


Publicado no jornal Cinform 11/05/2009 – Caderno Emprego

terça-feira, 28 de abril de 2009

A pedagogia Waldorf


“Não há, basicamente, em nenhum nível, uma educação que não seja a auto-educação. [...] Toda educação é auto-educação e nós, como professores e educadores, somos, em realidade, apenas o ambiente da criança educando-se a si própria. Devemos criar o mais propício ambiente para que a criança se eduque junto a nós, da maneira como ela precisa educar-se por meio de seu destino interior.”  Rudolf Steiner.

Quero comentar sobre uma linha pedagógica que está presente em todos os continentes, em mais de 50 países, em cerca de 1000 escolas, das quais, 25 estão no Brasil. Embora forme a maior rede de escolas independentes do mundo, a Escola Waldorf, infelizmente, é ignorada na maioria das faculdades e nos livros de pedagogia do país. No Brasil, a primeira Escola Waldorf foi fundada em 1955 na cidade de São Paulo e está  funcionando até hoje.

Por que uma corrente pedagógica tão extensa e atualizada é descartada do meio pedagógico? Para mim, à primeira impressão é que o milionário mercado editorial do livro didático não é contemplado com seus livros descartáveis. Nessas escolas o aluno escreve seus próprios livros, expondo sua visão através de textos e desenhos vivos que são registros permanentes de suas experiências escolares. Também sei que as escolas Waldorf exigem intensa participação da família no seu cotidiano. Assim, pais que não estejam dispostos a acompanhar de perto a vida escolar dos filhos devem manter distância segura dessa pedagogia. Nessas escolas, professores costumam  visitar as residências de seus alunos e os pais são os organizadores das festas escolares. Trata-se de uma ação pedagógica peculiar da pedagogia Waldorf.

Tais escolas surgiram na Alemanha, em 1919, quando Emil Molt, diretor da fábrica de cigarros Waldorf-Astoria (daí o nome Waldorf), ciente dos resultados do trabalho pedagógico de Rudolf Steiner com um jovem hidrocéfalo considerado incurável que se formou com brilhantismo em medicina, o convidou para ministrar palestras motivacionais aos operários de sua fábrica.

Diante do sucesso destas palestras, que migraram do sentido meramente motivacional para um sentido profundamente revelador da natureza humana, o grupo de operários solicitou a Steiner a fundação de uma escola para seus filhos, no que Emil Molt de pronto concordou.  Rudolf Steiner concordou com a solicitação dos operários, desde que respeitadas as seguintes condições: aceitar crianças de qualquer procedência, ter um currículo unificado de doze anos e que os professores fossem administradores e dirigentes da escola. Esta floresceu espetacularmente e Steiner tornou-se seu dirigente mesmo morando distante.

Segundo Rudolf Steiner, "nosso mais alto empenho deve ser o de desenvolver seres humanos capazes de, por eles próprios, dar sentido e direção às suas vidas". A principal meta de uma Escola Waldorf é desenvolver na criança "cabeça, coração e mãos" através de um currículo ampliado e equilibrado em práticas educativas formadoras do pensar, do sentir e do agir. Este currículo insere música (flauta doce, contralto, orquestra e coral); artes (aquarela, marcenaria, modelagem e escultura em argila, desenho em branco e preto e perspectiva, fotografia, batik, estamparia, mosaico, tricô, crochê, tecelagem e tapeçaria), além de matérias como jardinagem, técnicas agrícolas e horticultura.

Outra característica que diferencia a Pedagogia Waldorf das demais é o acompanhamento que o professor da classe realiza junto a uma mesma turma durante sete anos. É tempo bastante para se assistir intensamente ao crescimento de uma criança da alfabetização ao ensino médio e ver o efeito da ação pedagógica, diagnosticar, avaliar e, quando necessário, corrigir rumos.

O que me fascina nesta pedagogia é o fato de a vivência e o descobrir precederem a teoria. Nela, a arte do ensino é fazer os alunos descobrirem por si o que se deseja ensinar. E ensinar para quem já sabe, ou melhor, para quem acaba de saber é lidar com o encanto da aprendizagem. É o sabor do aprender lúdico. Este método facilita o ensino dividido em épocas: ao invés de mudar de disciplina a cada toque da sineta, nestas escolas, ocorre uma imersão durante três ou quatro semanas em uma mesma matéria, intensificando a vivência e o clima geral de aprendizagem. Os alunos se renovam cada vez que conhecem e adormecem com o que aprenderam. Diariamente, as aulas de época ministradas pelo professor da classe são seguidas por aulas de língua estrangeira, educação física, religião, artes, artesanato ou musica a cargo de professores especializados.

No final da década de 80, tive a felicidade de matricular um filho em uma escola Waldorf em São Paulo e pude constatar essas informações “ao vivo e a cores”. O que mais me faz admirador desta escola, porém, não é a grandiosa fundamentação teórica fornecida pela Antroposofia – ciência que revela a sabedoria do homem como ser dotado de corpo, alma e espírito – mas sim, o amor que os alunos desenvolvem pela escola que os leva a espontaneamente zelar por ela e curtir as aulas. Tenho noticia que em Aracaju, além da formação de professores Waldorf através de cursos de pós-graduação (1400 horas), há também o embrião da nossa primeira escola Waldorf. Que bom, porque isto representa um avanço da educação em Sergipe!


Publicado no jornal Cinform 27/04/2009 – Caderno Emprego
Publicado no Jornal do Comércio / SE – Editorial abr/2009