terça-feira, 26 de maio de 2009

Atitude é competência e educação


     Desde a década de 1970, firmou-se o conceito de competência na gestão de negócios como um conjunto de três fatores principais: conhecimento, habilidades e atitudes, também conhecido como CHA por causa das iniciais de cada palavra. Tal conceito deriva do trabalho do psicólogo e pesquisador da Universidade de Harvard (EUA), David C. McClelland, que muito contribuiu para a construção da teoria da gestão por competência. Seu trabalho  foi aprimorado pelo aluno Daniel Goleman em seu livro Inteligência Emocional (1997). Daí para frente muita tecnologia se desenvolveu nas escolas de administração, com o reconhecimento de valores interiores e aptidões das pessoas e seus reflexos na atividade econômica.

     A nova ordem econômica mundial descobriu que pessoas são fatores indispensáveis de produção. Indispensáveis, mas não do ponto de vista adotado quando falamos da produção de bens tangíveis que podem ser manufaturados com perfeição superior por robôs. Mas sim, indispensáveis na produção de bens intangíveis, frutos de aplicações intensas de conhecimento como são os softwares, os filmes, o entretenimento, as patentes, a nanotecnologia e as marcas. Nesta nova ordem econômica, apenas pessoas com seus talentos podem prover o mundo, ou o mercado como preferem alguns, com tais produtos em larga escala de consumo.

     À primeira vista, vemos uma supremacia do conhecimento sobre os demais fatores que formam as competências, isto é, habilidades e atitudes. É aqui que nos enganamos profundamente. Recentemente li um artigo científico intitulado “Por que as empresas demitem?”, escrito por pesquisadores do CEFET do Estado do Paraná, que me confirmou algo que já ouvira falar: 80% das demissões são motivadas por razões atitudinais ou comportamentais, as demais 20% são resultantes de incapacidade técnica ou insuficiência de conhecimentos. Aqui levamos em conta apenas as demissões com reposição de ocupante à vaga, ou seja, sem extinção do posto de trabalho.

     São problemas típicos de atitude comuns nas organizações: a indisciplina, o desrespeito a hierarquia, as ofensas, o descumprimento de horários, os desvios de caráter, não saber trabalhar em equipe, assédio moral, danos ao patrimônio, dentre vários outros problemas que acontecem com freqüência no cotidiano. Por que nossas atitudes não foram educadas como nosso conhecimento?  Pode a escola contribuir para uma atitude saudável?  
   
     Creio que todos educadores desejam formar pessoas literalmente competentes para gerir a própria vida. Pessoas capazes de escolher, produzir, opinar, influenciar positivamente os outros, trabalhar, educar os filhos; enfim, ser livre e com o próprio arbítrio construir um mundo melhor para todos. Porém, como vimos, vivemos numa sociedade que supervaloriza a cognição, o saber e a intelectualidade, em detrimento das outras faculdades humanas. Nossa sociedade quer puxar tudo para a cabeça misturando esferas originalmente distintas como o pensar e o sentir ao conceituar “inteligência emocional”, por exemplo. Desta distorção resulta o desastre ambiental de nosso tempo e a degradação social produtora de excluídos. Não sabemos colaborar, nem cuidar do próximo. Vivemos numa sociedade onde não existe um bezerro sequer sem dono, mas existem milhões de crianças “sem dono”. Onde não nos entendemos em uma simples reunião de condomínio pela escolha do horário de trabalho do porteiro, mas enviamos o homem à lua e coletamos rochas marcianas com indiscutível perfeição. Parece que conferimos respostas do século XIX para perguntas do século XXI.

     Quero ousar uma formulação a partir dos quatro pilares da educação propostos pela UNESCO que nos ajudará a diagnosticar falhas da educação frente à realidade do trabalho atual: Competência = conhecimento + habilidades + atitudes.

     Respectivamente: Aprender a ser [competente] = aprender a aprender + aprender a fazer + aprender a conviver.  

     Em ambos os casos a solução da equação passa pelo pensar, pelo agir e pelo sentir, fundamentos educacionais insubstituíveis no desenvolvimento integral do ser humano (1). Assim, se quisermos elevar nossas atitudes devemos educar o sentir através de atividades artísticas, esportes coletivos, trabalhos sociais voluntários e uma veneração religiosa à natureza. Além disso, os bons exemplos de pais e professores influenciam definitivamente novas gerações.

    Todos os grandes teóricos da educação vinculam a escola ao trabalho, independentemente da orientação política dos seus discursos. Faço aqui um alerta:  se não fazemos isso bem é porque falhamos pedagógica, econômica e socialmente. Talvez daí resultem nossos miúdos índices de desempenho escolar e o graúdo número de dois milhões de reclamações trabalhistas anuais do Brasil, numero 27 vezes maior que o norte-americano e 250 vezes maior que o japonês.   Realmente “só o Brasil é penta”, mas devemos escutar o grande pensador contemporâneo Edgar Morin, autor da proposta dos 4 pilares da educação para o século XXI, que também relacionou escola com trabalho e pode nos ajudar a  depender menos do futebol.

     Vide “A pedagogia Waldorf”, jornal Cinform de 27/04/2009.


Publicado no jornal Cinform 25/05/2009 – Caderno Emprego
Publicado no Jornal do Comércio / SE– Editorial mai/2009

terça-feira, 12 de maio de 2009

Maioridade com que idade?


Estava ouvindo distraidamente um noticiário da TV, quando um assunto recorrente me chamou a atenção. Discutia-se a alteração da legislação para que a maioridade passasse a ocorrer aos dezesseis anos.

Como tal assunto me incomoda! Entendo os motivos que levam muitos brasileiros à defesa dessa mudança: crimes praticados por jovens, quadrilhas que usam jovens para autoria de delitos a fim de se beneficiarem com a proteção legal que consiste nas medidas sócio-educativas, que tem o limite temporal de 21 anos para sua aplicação, etc. Neste assunto, porém, o que mais me incomoda é a sensação de que queremos negar o direito à juventude a alguns apenas: os jovens pobres em situação de risco.

Vejo jovens de classe média terem sua juventude e dependência cada vez mais prolongadas, seja por meio da convivência na casa paterna até aproximadamente os trinta anos, seja no ingresso ao mercado de trabalho depois de formados e pós-graduados. Nada contra, são livres decisões que cabem exclusivamente ao próprio contexto familiar. Vejo ainda, algo emblemático que comprova a incoerência e a degradação de nossa civilidade. São os transportes escolares: aquelas Topics que anunciam em seus parabrisas “UNIT à noite” ou “UFS”. Nossos universitários, maiores de idade, portanto, necessitam de transporte escolar, geralmente custeado pelos pais, tal qual crianças do ensino fundamental para irem a suas aulas. Por quê? 

Na década de 50, o brasileiro vivia em média 46 anos e a maioridade acontecia aos 21, ou seja, quase metade da vida era juventude. Atualmente no Brasil, vivemos em média 72 anos, a maioridade se dá aos 18 anos e alguns querem reduzi-la para os 16; repetindo a conta, a juventude passa a representar apenas 20% do tempo médio de vida de um brasileiro.

Nem Darwin explica tal mutação em tão pouco tempo. A maioridade aos 21 anos tem referências biológicas que ultrapassam nossos códigos legais. Existem leis biográficas às quais todos nós humanos seguimos. A maturidade se dá no corpo físico, inclusive, neurologicamente falando. Também no aspecto anímico ocorre amadurecimento à medida que conseguimos mais e mais controlar nossas emoções e nossa vontade. Este amadurecimento saudável pode e deve ser proporcionado pela educação, embora, as escolas como conseqüência de nossa sociedade, valorizem e avaliem quase exclusivamente o desenvolvimento cognitivo – o saber intelectual. Pedagogicamente, penso que as atividades escolares devem equilibrar ações que estimulem o pensar com atividades artísticas, dinâmicas de grupos e esportes coletivos, promotores do amadurecimento emocional (sentir), além de praticas de trabalhos manuais com madeira, argila, jardinagem, mecânica, dentre outras que nos desenvolvem e educam a vontade e o agir no mundo.

Será que não estamos agindo por impulso quando defendemos ainda mais a redução da maioridade para os 16? Sem olvidarmos que há em nosso país  quem defenda sua redução para os 14 anos. É possível reduzir verdadeiramente a adolescência a dois ou três anos apenas? Queremos extirpar a difícil fase da adolescência por decreto? Seria a juventude um objeto platônico, apenas idealizada e nunca realizada, já que nós sempre queremos parecer jovens enquanto o tempo insiste em nos mostrar o contrario com seu argumento incontornável? Por ser a adolescência  uma fase passageira, será que vale à pena darmos tanta importância a ela?

São perguntas difíceis às quais não tenho respostas confortáveis. Sabemos que as políticas públicas para juventude são precárias demais no Brasil e em muitos outros países. Os jovens formam o grupo social mais vulnerável e mais exposto a desafios. Para eles o desemprego é maior, a inserção no mundo do trabalho é mais difícil, é natural sua dificuldade de relacionamento com os adultos, não são preparados para a cultura empresarial e suas atitudes e valores facilmente colidem com as exigências do trabalho.

Políticas públicas estarão condenadas ao fracasso sempre que tratarem os jovens como atores sem identidade própria e sem independência e não levarem em conta a diversidade cultural e material presente entre eles e o seu desenvolvimento biopsicossocial. De universal mesmo, em nossa sociedade brasileira, vejo um processo de “juvenilização” dos adultos que os incentiva a omitir-se das suas responsabilidades, e outro processo de “adultilização” das crianças e jovens que atropela o ritmo natural e harmonioso de seu desenvolvimento, a exemplo da maioridade precoce, da erotização e consumismo das crianças, e da antecipação recente do ensino fundamental e da alfabetização em um ano.

Ao creditarmos à redução da maioridade penal uma mudança real da segurança pública, estamos tão somente nos desviando do real problema. Ou será que menores bebem mais que maiores? Menores se drogam mais que maiores? Menores roubam mais que maiores? Menores são mais corruptos que maiores? ...? ...?   
 
Quero um amplo debate da sociedade brasileira sobre o tema. Acredito que a saída está na educação. Mas não uma educação redentora ou salvadora que nos chegue como mágica. E sim, numa educação construída num cotidiano honesto nas salas de aulas, nos lares, nas empresas e nos governos por adultos que colaborem (ao invés de concorrerem) com os jovens e sejam conscientes de suas responsabilidades na construção de um país.

Se reduzirmos a maioridade para os 16 anos, teremos criminosos cada vez mais jovens e indefesos frente a seus algozes, que, lamento, continuarão aprendendo pelo mau exemplo dado por maiores, exatamente como já ocorre hoje.


Publicado no jornal Cinform 11/05/2009 – Caderno Emprego

terça-feira, 28 de abril de 2009

A pedagogia Waldorf


“Não há, basicamente, em nenhum nível, uma educação que não seja a auto-educação. [...] Toda educação é auto-educação e nós, como professores e educadores, somos, em realidade, apenas o ambiente da criança educando-se a si própria. Devemos criar o mais propício ambiente para que a criança se eduque junto a nós, da maneira como ela precisa educar-se por meio de seu destino interior.”  Rudolf Steiner.

Quero comentar sobre uma linha pedagógica que está presente em todos os continentes, em mais de 50 países, em cerca de 1000 escolas, das quais, 25 estão no Brasil. Embora forme a maior rede de escolas independentes do mundo, a Escola Waldorf, infelizmente, é ignorada na maioria das faculdades e nos livros de pedagogia do país. No Brasil, a primeira Escola Waldorf foi fundada em 1955 na cidade de São Paulo e está  funcionando até hoje.

Por que uma corrente pedagógica tão extensa e atualizada é descartada do meio pedagógico? Para mim, à primeira impressão é que o milionário mercado editorial do livro didático não é contemplado com seus livros descartáveis. Nessas escolas o aluno escreve seus próprios livros, expondo sua visão através de textos e desenhos vivos que são registros permanentes de suas experiências escolares. Também sei que as escolas Waldorf exigem intensa participação da família no seu cotidiano. Assim, pais que não estejam dispostos a acompanhar de perto a vida escolar dos filhos devem manter distância segura dessa pedagogia. Nessas escolas, professores costumam  visitar as residências de seus alunos e os pais são os organizadores das festas escolares. Trata-se de uma ação pedagógica peculiar da pedagogia Waldorf.

Tais escolas surgiram na Alemanha, em 1919, quando Emil Molt, diretor da fábrica de cigarros Waldorf-Astoria (daí o nome Waldorf), ciente dos resultados do trabalho pedagógico de Rudolf Steiner com um jovem hidrocéfalo considerado incurável que se formou com brilhantismo em medicina, o convidou para ministrar palestras motivacionais aos operários de sua fábrica.

Diante do sucesso destas palestras, que migraram do sentido meramente motivacional para um sentido profundamente revelador da natureza humana, o grupo de operários solicitou a Steiner a fundação de uma escola para seus filhos, no que Emil Molt de pronto concordou.  Rudolf Steiner concordou com a solicitação dos operários, desde que respeitadas as seguintes condições: aceitar crianças de qualquer procedência, ter um currículo unificado de doze anos e que os professores fossem administradores e dirigentes da escola. Esta floresceu espetacularmente e Steiner tornou-se seu dirigente mesmo morando distante.

Segundo Rudolf Steiner, "nosso mais alto empenho deve ser o de desenvolver seres humanos capazes de, por eles próprios, dar sentido e direção às suas vidas". A principal meta de uma Escola Waldorf é desenvolver na criança "cabeça, coração e mãos" através de um currículo ampliado e equilibrado em práticas educativas formadoras do pensar, do sentir e do agir. Este currículo insere música (flauta doce, contralto, orquestra e coral); artes (aquarela, marcenaria, modelagem e escultura em argila, desenho em branco e preto e perspectiva, fotografia, batik, estamparia, mosaico, tricô, crochê, tecelagem e tapeçaria), além de matérias como jardinagem, técnicas agrícolas e horticultura.

Outra característica que diferencia a Pedagogia Waldorf das demais é o acompanhamento que o professor da classe realiza junto a uma mesma turma durante sete anos. É tempo bastante para se assistir intensamente ao crescimento de uma criança da alfabetização ao ensino médio e ver o efeito da ação pedagógica, diagnosticar, avaliar e, quando necessário, corrigir rumos.

O que me fascina nesta pedagogia é o fato de a vivência e o descobrir precederem a teoria. Nela, a arte do ensino é fazer os alunos descobrirem por si o que se deseja ensinar. E ensinar para quem já sabe, ou melhor, para quem acaba de saber é lidar com o encanto da aprendizagem. É o sabor do aprender lúdico. Este método facilita o ensino dividido em épocas: ao invés de mudar de disciplina a cada toque da sineta, nestas escolas, ocorre uma imersão durante três ou quatro semanas em uma mesma matéria, intensificando a vivência e o clima geral de aprendizagem. Os alunos se renovam cada vez que conhecem e adormecem com o que aprenderam. Diariamente, as aulas de época ministradas pelo professor da classe são seguidas por aulas de língua estrangeira, educação física, religião, artes, artesanato ou musica a cargo de professores especializados.

No final da década de 80, tive a felicidade de matricular um filho em uma escola Waldorf em São Paulo e pude constatar essas informações “ao vivo e a cores”. O que mais me faz admirador desta escola, porém, não é a grandiosa fundamentação teórica fornecida pela Antroposofia – ciência que revela a sabedoria do homem como ser dotado de corpo, alma e espírito – mas sim, o amor que os alunos desenvolvem pela escola que os leva a espontaneamente zelar por ela e curtir as aulas. Tenho noticia que em Aracaju, além da formação de professores Waldorf através de cursos de pós-graduação (1400 horas), há também o embrião da nossa primeira escola Waldorf. Que bom, porque isto representa um avanço da educação em Sergipe!


Publicado no jornal Cinform 27/04/2009 – Caderno Emprego
Publicado no Jornal do Comércio / SE – Editorial abr/2009

terça-feira, 14 de abril de 2009

Empreendedorismo e Educação


No final do século XX a UNESCO encomendou a elaboração de um relatório que apontasse a direção a ser dada para a educação no novo século. Tal relatório, conhecido como "Delors", indicou que os processos pedagógicos deveriam trabalhar a partir de 4 pilares: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser.

Neste momento vou me ater exclusivamente a comentar sobre o “aprender a fazer”, pois é aqui que entra o empreendedorismo mais fortemente na educação formal. Infelizmente, nas nossas escolas esse importante pilar é de difícil aplicação, por quê? Porque educar o fazer, implica em trabalhar a vontade de cada um. Assim, a escola tem que dar oportunidade a cada um individualmente de expressar seu querer e as ações decorrentes dele. Neste âmbito, se descobrem talentos ainda não manifestos e se desenvolvem importantes habilidades.

Nosso modelo escolar, influenciado pela educação jesuítica, busca como ideal “educar a todos como se fossem um só” e, consequentemente, temos aí uma pedagogia conformadora, doutrinaria, que valoriza apenas os processos silenciosos e isoladores do pensar, da memorização e da cognição. Em educação, é forte a tentação de reproduzir o mesmo que recebemos, de repetir as aulas de um tempo que não voltará, para alunos que não são os mesmos, em uma sociedade com valores cada vez mais distantes. Em resumo, educar para um futuro que com certeza não virá.

Dito dessa forma, pareço defender novidades e inovações na escola, mas não é isso. Minha posição vem em defesa de uma educação que favoreça o desenvolvimento humano integralmente: eduque-se o pensar, o sentir e o agir harmoniosamente. Do que conheci até hoje, a linha pedagógica mais completa, por assim dizer, é a Pedagogia Waldorf, alemã, cerca de 1000 escolas no mundo, 90 anos de existência e mais de 50 deles no Brasil. Lamentavelmente desconhecida até nas faculdades de pedagogia devido, creio, a sua independência mercadológica. Noutro artigo dedicarei atenção exclusivamente a esse tema. Voltemos ao empreendedorismo.

Num passado próximo, ser empreendedor era sinônimo de ser empresário, ser capitalista, ou até ganancioso. Isso deriva do fato de chamar-se empreendedor, no século XVIII, aos que “compravam por preço certo para vender por preço incerto”, levando o comerciante a assumir riscos e obrigar-se a agregar algum valor ao produto visando convencer o comprador. Hoje, a definição é outra, sabemos que ser empreendedor é uma característica comportamental. É um conjunto de atitudes e hábitos que faz uma pessoa ser empreendedora, e como tal, estas atitudes podem ser adquiridas e desenvolvidas na escola e, uma vez adquiridas permitirão ao empreendedor aplicá-las onde bem entender. Alguns vão efetivamente valer-se desta habilidade para ganhar dinheiro, mas afirmo que será uma minoria. O empreendedor é um visionário que buscar construir seus sonhos, e aí residem seus valores fundamentais – ganhar dinheiro é secundário, é uma conseqüência de sua obra.

Empreendedora exemplar foi Irmã Dulce, que sonhou e dedicou-se a acolher e cuidar de doentes pobres da Bahia, deixando um legado indiscutível de santidade e um dos maiores hospitais públicos do Brasil em pleno funcionamento até hoje, o Hospital Santo Antonio. Sua biografia é marcada por inconformismo e gestos revolucionários como, invadir casas desabitadas para abrigar tuberculosos moradores de rua e iniciar seu hospital dentro do galinheiro do convento com 70 leitos. Quem ler sobre Irmã Dulce encontrará uma vida recheada de ações voltadas para o mesmo fim: construir seu sonho a partir unicamente de sua vontade infinita.

Outro empreendedor emblemático porque realizou uma grande conquista a partir do nada, foi o já falecido Deputado Federal Enéas. Analisem comigo: dispor de meia dúzia de segundos de televisão em horário eleitoral gratuito e tornar-se o deputado federal mais votado da historia de São Paulo e do Brasil com mais de 1,5 milhão de votos é um fenômeno e tanto. Alias, desculpo-me por estar sendo prolixo para falar deste personagem comunicador; deve ser porque meu nome não é Enéas!

Nossas escolas precisam “ensinar” os jovens a sonhar, a ter meta de vida, a exercitar sua visão de longo prazo, a fazer seu plano de negócio e a caminhar na construção desses mesmos sonhos. Nosso vínculo com o futuro é o agir, o futuro é construído por nossas ações. Ora, se minhas ações não podem mudar o passado é porque seu campo de ação não é aí.  Então, sim, no futuro!

Em Sergipe, algumas boas iniciativas empreendedoras acontecem em escolas públicas e particulares. A Junior Achievement, uma associação sem fins lucrativos, centenária, faz um belo trabalho junto a escolas regulares de ensino fundamental e médio. Também, vale à pena conhecer o trabalho desenvolvido nos colégios estaduais Médici - Aracaju, Glorita Portugal – São Cristóvão, e Edélzio Vieira de Melo – Capela. Nestas escolas e mais algumas outras, Empreendedorismo é disciplina obrigatória no ensino médio e os alunos tem oportunidade de aplicar o que aprendem em diversas atividades interdisciplinares, feiras realizadas nas escolas, apresentações artísticas, e até mesmo na Feira de Sergipe que acontece na Atalaia todos os anos em janeiro.

Encerro, enaltecendo os professores de empreendedorismo dos colégios citados como docentes exemplares e verdadeiros amigos de seus jovens alunos. Embora iniciada em 2006, a disciplina Empreendedorismo nestas escolas já apresenta inúmeros casos de sucesso de alunos e ex-alunos no mundo do trabalho e em concursos diversos. Empreendedorismo como disciplina curricular no ensino médio é uma dessas coisas que só Sergipe tem!

    Publicado no jornal Cinform 13/04/2009 – Caderno Emprego

segunda-feira, 30 de março de 2009

A Economia Industrial e a Economia do Conhecimento: dois paradigmas


Duas economias estão muito presentes no nosso mundo e creio que pouco nos apercebemos das radicais diferenças que as edificam. São elas: a Economia Industrial e a Economia do Conhecimento.

A primeira economia deriva da produção de bens materiais, é a mais tradicional, mais antiga e mais visível. Dela vêm os automóveis, os eletroeletrônicos, os bens duráveis, as edificações, enfim, as coisas tangíveis que podemos tocar, pesar e mensurar. Aqui se valorizam mais as formas e as estruturas, e ainda, mais valem os produtos que quem os produz. Para compreensão dessa economia mais palpável, o homem desenvolveu teorias inspiradas em concepções materialistas e até muito mecânicas, tipo causa-efeito. O preço está diretamente relacionado à escassez – Por exemplo, se Zé quer comprar bananas na entressafra, então certamente, Zé vai pagar mais caro por elas. É lógico!  Da mesma forma, Jorge, lojista de pneus, se desfaz dos pneus que possui em estoque para ser remunerado. Assim, Jorge só terá dinheiro quando não tiver pneu. Já com Alfredo aconteceu de emprestar seu fusca para rodarem muito e por conta desse compartilhamento o carro depreciou perdendo valor de mercado – Esse é o paradigma desta economia.

A segunda economia é a dos bens imateriais, das coisas que não tocamos com nossas mãos, cujos produtos são extremamente fluídos e dependentes de mídias para nosso consumo. Seus principais produtos são: software, isto é, programas para computadores; entretenimento, jogos, filmes, lazer nas diversas formas; música, literatura, artes, cultura em geral; educação e consultoria; marcas e patentes; etc. Esta é a economia do conhecimento ou de bens intangíveis em que se valoriza mais o fluxo que a forma e mais também, a flexibilidade que a estrutura. É a economia da abundância e do excesso de informações. Os verbetes “paulo freire” e “paleolítico” tem 1.350.000 e 261.000 entradas no Google respectivamente. Da pra ler? Imaginemos, nesse cenário, que Jorge agora não mais vende pneus, ele é um consultor , portanto, vende conhecimento. Pergunto: o estoque de conhecimento de Jorge reduz à medida que é vendido? Certamente a resposta é NÃO: nessa situação o conhecimento e a renda crescem a cada consultoria realizada. Continuemos a imaginar não mais com Jorge, porém, com o Alfredo que não é mais o atormentado proprietário de fusca: ele é programador de computador e desenvolveu um software que informa com precisão cirúrgica quando vai chover no sertão. Todos querem seu programa e na mesma proporção que Alfredo o compartilha, valoriza seu produto, contrariamente ao que aconteceu com o estimado e mensurável fusquinha.   

A principal economia mundial de hoje é a do conhecimento. Está muito presente nos países centrais, misturada nos países intermediários como o Brasil e praticamente ausente na periferia mundial. A Califórnia, estado do desértico oeste americano, tem PIB bem superior ao brasileiro e ao Francês, alimentado pela indústria da inovação do Vale do Silício (lê-se a gestação de Google, Microsoft, Apple, Yahoo, Intel, AMD, Symantec, HP...) e pela produção dos conhecidos filmes de Hollywood. É quase tudo intangível. Acredito que, hoje, por conta dessa preponderância acentuada da economia do conhecimento sobre a economia industrial é que chegamos a ter o barril de petróleo em 2008 acima de 150 dólares por barril sem susto, diferentemente da década de 70, ocasião em que o mundo se ajoelhou porque o petróleo atingiu 60 dólares. 

As regras clássicas da Economia Industrial não podem ser aplicadas diretamente na economia do conhecimento. Parece mais acertado inverter as normas se quanto mais usado mais vale e se quando mais compartilho mais tenho. Além disso, na nova economia o principal valor do produto não esta na matéria e sim na tecnologia embutida (e invisível) visto que 1 kg de satélite tem o mesmo preço que 100.000.000 kg de soja. A aplicação de conceitos clássicos da economia tradicional nessa nova economia levou alguns pioneiros ao fracasso e ainda perturba muitos outros empreendedores. A Netscape, em 1995, no primeiro dia de negociação na bolsa americana NASDAQ (que negocia ações de empresas de alta tecnologia) foi cotada a 3 bilhões de dólares, quando tinha um faturamento anual de 17 milhões de dólares e não era uma empresa lucrativa, num completo descolamento de números.

O problema mais complexo decorrente da falta de coerência no manuseio e domínio da economia do conhecimento é a pirataria. A cópia ilegal existe à sombra da incompatibilidade de modelos. Na fabricação de bens tangíveis a escala de produção, os prazos, a rastreabilidade e a qualidade não dão espaço para que aventureiros copiem com sucesso a imensa maioria dos produtos, existindo problemas pontuais apenas. Já na indústria de bens intangíveis o problema da pirataria é sistêmico, decorre da dificuldade de reter conhecimento. Conhecimento não se divide, se multiplica, se potencializa. Nesse campo a solução só virá com a mudança de paradigma, pois, se não há “perda” na passagem de conhecimento de quem sabe para quem não sabe, então, como produzir “ganho” para ele?

Um exemplo de como inibir a pirataria é a produção intelectual de domínio público. Neste mês de março, durante a semana da inclusão digital, o CDI/SE – Comitê para Democratização da Informática em Sergipe, o Senac/SE, o Sebrae/SE, a Faculdade São Luís de França e o Instituto Social Micael lançaram a cartilha “Internet ponto a ponto” para orientar crianças, jovens, pais e professores a fazerem bom uso da internet. A elaboração do conteúdo (o intangível) desta cartilha foi um trabalho voluntário e ela está disponível para cópia no site www.se.senac.br e com os fotolitos prontos na Info Graphics para impressão (o tangível) por conta da instituição que a desejar distribuir. Em um recorte da capa está a imagem de um pirata que pode ser substituída pela marca do encomendante, simbolizando que onde há colaboração o pirata não tem vez.  

Penso que as bases do novo paradigma econômico serão a fraternidade e a cooperação. As constelações parecem apontar para uma saída honrosa para a história econômica da humanidade. Espero assistir vivo a este resgate.   


Publicado no jornal Cinform 30/03/2009 – Caderno Emprego

segunda-feira, 16 de março de 2009

Inclusão digital ou inclusão educacional?



Muito se fala em inclusão digital. A repetição do termo banaliza o tema, às vezes confunde o significado, noutras tantas vezes ilude politicamente a sociedade. Certamente, não serei eu o iluminado ou “salvador da pátria” que neste curto espaço vai encerrar as dúvidas cabíveis em tão intrigante assunto. Porém, convido-os para reflexão viajando pela história humana, ainda que contada pela turma dominante.

Dizem que a cerca de dez mil anos atrás o homem deixou de ser nômade para se dedicar a agricultura e criação de animais domesticáveis. Para isso, nosso antepassado desenvolveu ferramentas rudes, providas apenas de um corpo físico que funcionavam como extensão de seu próprio corpo como uma pá, por exemplo, ou como prolongamento do corpo de um animal, como o arado. Vejam que falei apenas de instrumentos primitivos, mas creio que já podemos visualizar claramente um processo excludente intimamente relacionado à tecnologia. Certamente nessa época muitos foram alijados do processo histórico por causa da insensível pá. Para se corrigir uma injustiça social de então, creio que bastaria ao cacique pré-histórico distribuir pás para todos que a inclusão aconteceria.

Bem mais adiante, no século XVIII, o homem domina diversas formas de energia: vapor, eletricidade, química, etc., produz máquinas “vitalizadas” capazes de gerar grande produção de excedentes. Um tear artesanal jamais competirá em produtividade com uma máquina têxtil industrial. Quanto tempo levará uma dona de casa que queira bater no garfo o que um simples liquidificador faz em segundos? Desta dita revolução industrial a humanidade herda o consumismo e a obsessão pela produtividade em tudo que faz. Nesse período, as ferramentas já não são simples extensões físicas adaptadas ao trabalho muscular, mas sim, equipamentos dotados de corpo físico e vitalidade própria adquirida pela conversão energética. Aqui a coisa começa a complicar. Uma dona de casa que não possua seu liquidificador pode estar tão excluída quanto a que já o possui, mas, não dispõe de energia elétrica para fazê-lo funcionar. A exclusão cresce potencialmente com o avanço tecnológico. Caso o zeloso monarca da época viesse a distribuir liquidificador para todas (ou todos) já não resolveria. Seria preciso distribuir eletricidade também.

Na atual sociedade do conhecimento, ou pós-industrial, as máquinas ganham um componente adicional, o software. Isto é, são programáveis e realizam instruções a partir da leitura do programa posto em sua memória. Tal programa vai ditar o “comportamento” da máquina. Ou seja, trocou o programa, trocou a ação da máquina sem mexer em nenhum parafuso ou componente físico. Tal programa anima a ação da máquina. Um exemplo visível é a máquina de bordar, destas que vemos em estandes nos shoppings reproduzindo no tecido o desenho que está carregado em sua memória naquele instante. Troca-se o desenho e a máquina fará novo e diferente bordado. Nossa atualizada máquina mostra-se tridimensional, a saber: uma dimensão física formada por motores, eixos, polias, etc.; uma dimensão vital caracterizada pela eletricidade e finalmente uma dimensão digital definida pela lógica do programa que a instrui. Estou certo que a exclusão cresceu em maior proporção. Não basta ao gestor público contemporâneo distribuir máquinas bordadeiras e eletricidade para todos – tem que, além disso, distribuir conhecimento (sic) para programar a exigente máquina. Neste ambiente digital o conhecimento deixa de ser um acessório valioso para ser um fator determinante, condição sine qua non (sem a qual não).

Essa é a questão: não se pode distribuir conhecimento como se distribui pás, liquidificadores ou eletricidade. Conhecimento se adquire, explicita ou implicitamente, mas sempre a partir de informações captadas pelos nossos órgãos dos sentidos, desde que estejamos abertos a internalizá-las e, na visão de Piaget, tenhamos estrutura cognitiva compatível (já acomodada) para que possamos assimilar tais informações.

Alguns autores afirmam que para superar a exclusão digital é necessário atender a três distintos pilares: acesso às TIC’s (tecnologias da informação e comunicação), renda e educação. O primeiro pilar está bem avançado, especialmente pelo trabalho prestado pelas lan houses e similares, visto que 67% dos usuários de internet do nordeste brasileiro utilizam lan houses segundo pesquisa recente do CGIBR – Comitê Gestor da Internet do Brasil. O segundo pilar encontra-se favorecido pela redução dos preços das TIC’s e pelo crescimento da renda das classes populares; embora o custo de acesso doméstico a internet seja uma grande barreira ainda. E, finalmente o terceiro e mais importante pilar que infelizmente não acompanha a evolução dos dois primeiros no Brasil – EDUCAÇÃO.

Será necessário promover inclusão digital no Brasil ou assumir que o que nos falta é inclusão educacional?


Publicado no jornal Cinform 16/03/2009 – Caderno Emprego

segunda-feira, 22 de maio de 2000

Abaixo a “Datadura”



Eu estudei em escolas e universidades públicas, tenho vinte anos de carteira assinada no ramo da informática. Assim, sinto a obrigação cidadã de contribuir com meu país e seu povo, através desta visão crítica do sistema eleitoral brasileiro.

ANO 2000
Neste ano 2000 teremos a eleição inteiramente eletrônica. Serão milhões de eleitores elegendo mais de 70.000 prefeitos e vereadores em centenas de milhares urnas eletrônicas. A maior eleição eletrônica do mundo e a única informatizada em todas as etapas.

URNA ELETRÔNICA
A urna eletrônica é um microcomputador. Os programas desenvolvidos pelo TSE formam apenas uma parte do conjunto de software necessário ao seu funcionamento. Toda a garantia do voto eletrônico baseia-se exclusivamente na confiança e idoneidade dos autores de programas brasileiros e estrangeiros, visto que as urnas eletrônicas funcionam sem comprovações.

FRAUDES ELETRÔNICAS
30% das empresas brasileiras atuantes em transações eletrônicas já foram lesadas eletronicamente (2), porém sistemas auditáveis deixam rastros nas chamadas trilhas para auditoria. A Receita Federal foi palco do furto de milhões de Declarações do Imposto de Renda e é uma entidade cujo o site foi reconhecido internacionalmente por sua versatilidade e segurança (?).
Sabemos que não existem sistemas 100% seguros. No processo eleitoral a questão da segurança se torna mais grave, já que o eleitor não pode ser associado ao seu voto. Assim o único fiscal do voto é o próprio eleitor e não existe autoridade no país com competência para argüir o voto de um cidadão. Temos na mão, enfim, um sistema inauditável.

SIGILO DO VOTO
O problema do sigilo é o nº do título de eleitor ser digitado na mesma urna eletrônica onde é depositado o voto.
Toda a arquitetura dos computadores é desenvolvida no sentido de associar dados. Mantê-los absolutamente desvinculados é impossível. Aleatório em computação não existe, só pseudo-aleatório.
A solução é não digitar o título de eleitor em nenhum meio eletrônico ou mecânico durante a votação. Isso permitiria até a utilização de mais de uma urna por seção eleitoral, eliminando filas e esperas.
                      
HONESTIDADE DO VOTO
Outra questão é que vemos a foto e o nome do candidato na tela e não temos certeza deste mesmo voto ser gravado no disquete. Apenas acreditamos, já que o disquete é ilegível aos nossos olhos.
Aqui a solução é usar a impressora já existente na urna. Esta poderia imprimir o voto, a cada vez que se aperta a tecla "confirma", e mantê-lo visível ao eleitor através de um visor. Ao último comando de cada eleitor, o papel seria cortado mecanicamente, caindo dentro da urna para posterior conferência ou recontagem. Aí o eleitor pode ter certeza de que seu voto foi para o candidato escolhido pois o voto impresso no papel é legível ao único fiscal possível nesse processo - o próprio eleitor.
No final, pega-se 2% das urnas e faz- se a comparação disquete x voto impresso. Não deve haver diferença.

REFLEXÕES - Eleição de 1998
" ... isso não significa que não vá haver tentativas de fraudes. Mas quem for tentar terá de subornar pelo menos uns 30" - Paulo Camarão ­ Sec. Informática do TSE à Folha de São Paulo (Caderno Eleições, pág. 5) em 23/09/98.
Haverão interesses nacionais e internacionais em eleições brasileiras?
É possível a um partido político auditar o funcionamento de sistemas operacionais, drivers diversos, memória ROM e sistemas das urnas?
Quantas? Todas? Quando? Em que ambiente e circunstâncias?
Que certificadora nacional ou internacional séria atestou o modelo da nossa urna eletrônica?
Por que países de sólidas democracias e tecnologicamente superiores ao Brasil não adotam modelo similar nas suas eleições?
Por que o TSE não reconhece a fragilidade do sistema adotado e muda-o já?
Existe o Projeto de Lei do Senado PLS 194/99 do senador Roberto Requião, já aprovado na Comissão de Constituição e Justiça, que modifica radicalmente o modelo de eleição eletrônica brasileiro, adotando muitas idéias como as aqui sugeridas.
Onde estão as entidades de classes, sindicatos, associações, diretórios acadêmicos, universidades, OAB, ABNT e classe política que vêem o país submeter-se a um sistema eleitoral sem referência histórica e geográfica e não abrem sequer um debate sobre o assunto?
Por que é legal o procedimento eletrônico sem papel, exclusivamente no sistema eleitoral? 
No sistema bancário toda transação eletrônica tem um voucher (testemunho/comprovante). Nos terminais eletrônicos de vendas do comércio o consumidor recebe uma via da nota fiscal, ficando a outra rebobinada dentro da máquina. No Brasil, fax, e-mail e carta não-registrada não tem valor documental. Por que o voto eletrônico terá?
Se o TSE tem a fórmula contra interferências indesejadas nos sistemas eletrônicos, por que não vendemos ou doamos este modelo para empresas bancárias, e­commerce, portais da Internet e ainda à Receita Federal. Além de IBM, AT&T, Microsoft, Netscape, etc? O mundo agradecerá.
CONCLUSÃO
Não sou contra a eleição eletrônica. Muito pelo contrário! O processo eletrônico sério elimina uma grande soma de pequenas fraudes, resultantes de erros e "mapismos" do processo tradicional. Porém, o processo eletrônico não-sério abre espaço para poucas fraudes de grande poder, além de criar a fraude limpa ­ irrecorrível.
Desconheço a existência de fraudes ocorridas até hoje em nossas eleições eletrônicas. Tudo que apresento aqui é para que elas não aconteçam. As mudanças aqui propostas não tem custo alto. Falta muito pouco para ter-se um sistema realmente confiável. Já se gastou US$ 500,000,000.00 com urnas eletrônicas (1).
Democracia não tem preço.
Abaixo a datadura!
Referências:
(1) 
Fórum do Voto Eletrônico
(2) Jornal da Globo, 22/11/99.



Paulo do Eirado Dias Filho
Publicado no jornal Cinform em 22 de maio de 2000

Opinião do Leitor, Caderno Principal pag. 2